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Minutos Finais Estamos conduzindo nosso planeta para a exaustão. Exaurimos gradativamente os recursos capazes de tornar a vida sustentável. O ser humano age como a cobra que morde seu próprio rabo, tornando-se vítima de seu próprio veneno. A visão apocalíptica sobre os “minutos finais” da humanidade sempre foi relevante, principalmente quando é tratado de maneira criativa e inédita. Este livro alia a ficção com a espiritualidade, com a realidade científica e histórica. Seu argumento é tremendamente atualizado, pois aborda assuntos futurísticos envolvendo questões práticas para a modernidade: Ambientalismo, ciência, insurreições e expectativas de guerras. Até que ponto poderemos sustentar este ritmo alucinante de degradação moral, ambiental, psicológica e espiritual? Sofreremos algum tipo de conseqüência? Deus participa da nossa história? Saiba como responder cada uma destas perguntas lendo este livro até o final. |
Inf. Técnicas: Formato 14x21cm - 100
págs. Comprar de uma livraria |
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(segmento 1) Uma das turmas dos dinâmicos vigilantes da galáxia, sediada na Nação maior, está a postos para a rotina diária de pesquisas. – Vocês estão lembrados de que no término do expediente nós vamos comemorar o aniversário do nosso diretor? – perguntou em voz altissonante um astrofísico, arrumando meio que sem jeito os óculos no rosto. Ninguém deu resposta. Uns poucos preferiram tão-somente os bucólicos gestos de afirmação com a cabeça. Parece ser um dia como outro qualquer, sem diferentes acontecimentos calamitosos: temperaturas elevadas em todo planeta, alguns abalos sísmicos nos países orientais, chances imediatas de maremotos no Pacífico; tudo como das vezes anteriores. Os povos dessa época, descendentes da geração do ciberespaço, se acostumaram de tal maneira com esses flagelos que nem se importavam e até sentiam falta deles se acaso deixavam de ser notícia nos boletins instantâneos. São pessoas aprisionadas pela nefasta herança, deixada pelos seus antepassados, de destruição da natureza, da perda total dos valores morais, das transgressões de preceitos religiosos e do desprezo pelo Criador. Alarmes automáticos, implantados em sistemas digitais de formação alfa, fazem o trabalho de alerta costumeiro. – Eu é que não vou participar dessa homenagem hipócrita! – sussurrou uma bióloga nos ouvidos da colega. – Zzzuuuiimm... De súbito, os precisos aparelhos desferem um sinal estridente temido por toda a gente: o da escala internacional vermelha. Uma nebulosa colossal do tipo galáctica, com aparência esbranquiçada e em via de adensamento, aproxima-se rapidamente do orbe terrestre. Pelo seu tamanho, ela deve cobrir com folga todo o Planeta.
(segmento 2) Dezenas de anos haviam decorrido desde o grande embate nuclear entre as potências do Oriente e a da América e seus aliados. Um número incontável de milhões morreu em todo canto. Cidades inteiras foram varridas do mapa. A vida animal e vegetal sofreu um golpe sem igual. A Terra foi tomada pela ruína e desolação, e fez surgir uma geração de filhos sobreviventes do caos. Tudo porque o homem julgou ter direito de fazer e de desfazer do que bem entendesse.
(segmento 3) Lúcifer arregimentou seus semelhantes para ultimar o desejo insano. O confronto foi inevitável: um batalhão de anjos, arcanjos e querubins pelejaram entre si sem tréguas. Houve um ribombar de sons tremendos, um tumulto de águas no céu e vapores das extremidades do globo. Tudo que existia nesse tempo apavorou-se ante essa batalha feroz. O mundo ferido tornou-se sem formato e enrolou-se como a página de um livro. Os montes e as ilhas mudaram de local. Asteróides sem rumo faiscaram no cosmo e onde caíram trouxeram destruição. Por fim, o arcanjo Miguel, um dos primeiros príncipes, e todo o exército dos céus venceram os rebeldes. O acérrimo inimigo e seus insubordinados seguidores, curvados ante a humilhante derrota, foram expulsos e proibidos, por decreto do Eterno, de acessar o recinto santo; ali jamais haverá espaço para os tais novamente. Com suas asas golpeadas na batalha, eles despencaram do alto como raio, e a disciplina, a paz e a harmonia foram mantidas no Reino augusto.
(segmento 4) – Senhor líder das Américas – disse o Secretário de Defesa olhando de soslaio – já estamos em conexão visual com os Chefes de Estado dos outros três blocos do mundo. Faltando então precisos quatro minutos para o terrível impacto, os líderes das principais nações desenvolvidas estão doravante conectados em tempo real. A visualização de suas imagens, em quarta dimensão, é transmitida por um projetor minúsculo do qual sai um raio S-Laser que forma o holograma virtual sobre uma superfície imaginária suspensa no ar. A uma só voz na linguagem iWorld – o mesmo idioma inglês do passado, agora falado e entendido pela quase totalidade dos povos –, mas sem concordância de opiniões, os mandatários articulam possíveis soluções para salvar a humanidade.
(segmento 5) Transcorridos alguns meses dessa aparição, uma das virgens do lugar apareceu grávida. O pai da moça, reconhecidamente conservador quanto aos bons modos de comportamento, aplicou-lhe uma impiedosa sova de cinto; somente com o passar do tempo, ele acreditou na história contada por ela, perdoando-a e aceitando a cruel desdita. A aberração nasceu com aparência meio-humana, meio-de-outro-mundo e ainda infante, tanto ela como a mãe sumiu um dia sem deixar qualquer vestígio. Embora os familiares e amigos tenham se empenhado em procurá-los, a busca não surtiu efeito. Dizem que somente a velha mãe viu a nave do incógnito aparecer para buscar o neto e a filha e que, por causa disso, ela foi a única que não procurou pelos sumidos.
(segmento 6) A espaçonave X-1, sob o comando do Capitão da Força Aérea Britânica, já estava em procedimento de descida na Estação de Pesquisa Espacial de Mountain Blass. De sua janela podiam-se vislumbrar as grandes montanhas totalmente cobertas de gelo, entrecortadas por pequenas elevações de montes, cujos cumes transbordavam de neve e o restante deixava transparecer o tom amarronzado de suas encostas. O solo glacial, de tão branco, causava dor em olhos desprotegidos. Uma vastidão de pura neve. Uma paisagem incrivelmente bela, e não menos misteriosamente desconhecida. Nessa época do ano, os rios e lagos descongelam, deixando transparecer o azul marinho contrastante com o tom nevado. As águas geladas, com blocos congelados boiando, serpenteiam verdadeiros paredões informes de gelo das montanhas e dos pequenos montes. – Estamos sobrevoando uma região pura do Planeta – disse o Capitão inglês, fazendo propositalmente o vôo de reconhecimento costumeiro próximo à extremidade norte do eixo imaginário da Terra.
(segmento 7) – O ator que interpretava o personagem Shylock da peça adaptada de O Mercador de Veneza, de William Shakespeare, interrompeu por uma fração de minuto a sua fala. Ele se desconcentrou com os rumores vindos da platéia, quase inaudíveis no princípio, porém crescentes a cada segundo. Detendo o seu olhar atentamente no auditório, o vexado intérprete notou que não se tratava de murmúrios irreverentes. Para seu espanto, viu que os ruídos inquietantes partiam de homens e mulheres que choramingavam nas poltronas aveludadas do teatro. A menção anti-discriminatória proferida pelo seu personagem havia tocado profundamente nos espectadores. Eles sentiram que a convivência mútua não deveria ser assim. Os preconceitos e os padrões mundanos impostos às pessoas precisavam voltar à realidade, porque somos iguais ante o Criador e as leis terreais. Por que somente diante da sociedade dominante seria desigual? A Declaração de Independência da maior nação do Globo afirma textualmente que todos os homens são criados iguais com direito à vida, liberdade e procura da felicidade, e que recebem de Deus direitos inalienáveis.
Faltando três minutos para o final de tudo, o noticiário instantâneo da grande Rede Internacional de Comunicação alardeia a situação crítica ainda mais. Difícil de se supor que existem desconhecedores desse alarido mundial. É que, na época de agora, chips subcutâneos levam as imagens digitalizadas das redes de comunicação diretamente ao cérebro, que comanda, pelo simples desejo manifesto da vontade, o programa a ser visto em pensamento; as notícias urgentes são precedidas de um alarme sonoro.
(segmento 9) O cenário parece de final dos dias, com ares de um entardecer cavernoso. Enquanto as sombras vão avançando chão adentro, os temores humanos se intensificam. Inicialmente, só alguns reflexos solares laranja-avermelhados conseguiam traspassar a mancha esbranquiçada e difusa da lúgubre agressora, que em pouquíssimo tempo cobriu totalmente o sol brilhante de pleno verão. Ficou noite densa nos quadrantes do globo terrestre.
(segmento 10) Poucos indivíduos mantêm a calma conformados diante da situação que se afigura sem saída. Uma auto-entrega consciente: eles trazem à lembrança o consolo dos momentos felizes através da mentalização de um mosaico de imagens do passado. A população entra em choque e desespero, tomada de histeria por não saber lidar com esse medo. Homens, mulheres e crianças, com seus cabelos e roupas esvoaçados e empoeirados pela ventania impiedosa, correm em pânico de lado para lado procurando se defender como podem em lugares que julgam ter segurança. Boquiabertos, outros olham fixamente para o alto, deixando os pensamentos esvair, sem acreditar no que vêem os olhos ao pressentir o desastre fatal. Todos eles estão submergidos em terror.
(segmento 11) Os líderes mundiais passam a discutir se haverá sobreviventes no caso de a nebulosa hostil conseguir transpor a camada protetora (a que foi colocada em volta do orbe terrestre). – Segundo os peritos, é provável que a nebulosa deixe de atingir apenas uma faixa limitada do Globo na região do pólo Norte – disse o Primeiro-Ministro inglês para desconsolo geral.
No centro espacial as sirenes tocam ante o alarme regressivo. Os meros expectadores que deixaram de participar da evacuação apressada permanecem assentados; alguns deles, cabisbaixos, repetem pausadamente em tom rezado o que alguém começou: – Pai nosso que estás no céu... Os demais estão com olhares fixos no grande painel eletrônico na esperança ilusória de um milagre. Lá passa rapidamente os números, em vermelho muito vivo, dos segundos finais. |
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